O que é Chairside?

Fluxo CAD/CAM em uma única consulta: do escaneamento à cimentação. Indicações, materiais, custo de implantação e quando faz sentido economicamente.

Chairside é o nome dado ao fluxo de fabricação de uma restauração ou prótese inteira dentro do consultório, em uma única consulta. O paciente entra com uma indicação de coroa, onlay ou faceta; sai, na mesma sessão, com a peça cimentada. Não há moldagem analógica, não há entrega de modelo ao laboratório, não há provisório de meses.

A promessa é forte e o investimento é alto. O propósito deste artigo é separar a promessa do investimento — e oferecer alguns parâmetros para decidir se o chairside faz sentido para a sua clínica.

O fluxo, passo a passo

Uma consulta chairside típica de coroa unitária roda em quatro etapas:

1. Preparo dental. Igual a qualquer preparo protético, mas com atenção redobrada às linhas de término — o escâner precisa de transição visível para reproduzir a margem com precisão.

2. Escaneamento intraoral. O profissional captura a arcada preparada, a antagonista e o registro oclusal. Em mãos treinadas, leva de cinco a dez minutos.

3. Desenho CAD da peça. Em software dedicado, o operador ajusta a proposta automática do sistema — anatomia, pontos de contato, oclusão, espessura mínima — e exporta o arquivo de usinagem.

4. Usinagem, glazeamento e cimentação. Bloco de cerâmica posicionado na fresadora; usinagem em quinze a quarenta minutos conforme o material; eventual cristalização ou glaze em forno odontológico; cimentação da peça no preparo.

O tempo total do fluxo, em mãos treinadas e para um caso simples, fica entre 90 e 120 minutos de cadeira do paciente. Significativamente mais que a moldagem convencional em si, mas substituindo duas a três consultas e o tempo logístico com laboratório.

Indicações típicas

O fluxo chairside agrega valor real em:

  • Coroas unitárias em cerâmica vítrea (dissilicato de lítio) ou zircônia translúcida monolítica.
  • Onlays e inlays indiretos em cerâmica ou compósito CAD.
  • Facetas laminadas em casos selecionados, com atenção à caracterização estética.
  • Restaurações sobre implantes unitários com sistemas de pilar conectado à coroa monolítica.

Casos que escapam ao escopo do chairside típico:

  • Próteses extensas (3+ elementos) com alta exigência estética — costuma valer mais a parceria com laboratório especializado.
  • Casos com necessidade de maquiagem cerâmica artística — a usinagem entrega forma e textura, mas a caracterização cromática avançada ainda é território humano.
  • Reabilitações totais ou fluxos protéticos sobre múltiplos implantes que demandam fundição estrutural.

Materiais

Os blocos CAD em uso clínico cotidiano dividem-se em dois grandes grupos:

Cerâmicas vítreas (dissilicato de lítio). Combinam estética e resistência mecânica em níveis adequados para coroas posteriores e anteriores unitárias. Exigem cristalização em forno após a usinagem.

Zircônias translúcidas monolíticas. Resistência mecânica superior, dispensa de cristalização (sinterização rápida em fornos específicos), comportamento estético muito melhor que as zircônias clássicas. Vêm ganhando espaço em todas as faixas de indicação.

Cerômero CAD e híbridos resinosos completam o cardápio para casos específicos (provisórios de longa duração, restaurações em pacientes com função parafuncional).

O custo de implantação

O investimento inicial para montar uma unidade chairside completa, no mercado brasileiro, fica em faixa de seis dígitos baixos quando se considera:

  • Escâner intraoral
  • Software CAD (licença anual ou compra)
  • Fresadora compatível com os blocos pretendidos
  • Forno de cristalização ou de sinterização rápida
  • Estoque inicial de blocos em diferentes cores e tamanhos
  • Treinamento da equipe — usualmente uma a duas semanas concentradas, seguidas de meses de uso assistido

A esses valores somam-se manutenção da fresadora, reposição de instrumentos cortantes e atualização de software.

Quando faz sentido economicamente

A conta de retorno do investimento depende, sobretudo, do volume mensal de casos em que o chairside vai efetivamente ser usado. Como estimativa conservadora — e marcando como estimativa —, uma clínica com 8 a 12 casos protéticos unitários por mês em que o chairside é viável tende a encontrar payback em 18 a 30 meses considerando a margem ganha por consulta única (sem provisórios, sem retornos, sem repasse a laboratório).

Volumes menores estendem o payback para além dos cinco anos, faixa em que o equipamento começa a competir com seu próprio ciclo de obsolescência. Volumes maiores aceleram o retorno na medida em que o tempo da fresadora é o gargalo natural do fluxo — em algum momento o equipamento opera próximo do limite, e a margem cresce.

Há também um ganho indireto difícil de quantificar: a clínica que entrega a coroa na mesma consulta passa a competir em um plano diferente do consultório vizinho. O paciente comenta, indica, retorna. Esse efeito existe — mas não deve ser o pilar da decisão de investimento.

O risco do investimento mal-dimensionado

A pior decisão envolvendo chairside não é não comprar — é comprar e subutilizar. Equipamento parado deprecia, software desatualiza, equipe destreinada perde proficiência. Antes do investimento, vale rodar a estimativa de payback com o volume atual da clínica, não com o volume projetado de “quando crescer”. Se o número não fecha hoje, dificilmente fechará amanhã.

Em resumo

Chairside é poderoso para o consultório certo e contraprodutivo para o errado. A diferença está em volume, em maturidade digital prévia (vale entrar no chairside já tendo experiência com Digital Impression) e em paciência para a curva de aprendizado.

Se você está considerando entrar no fluxo chairside, a mentoria de Fluxo Chairside do instituto trabalha tanto o lado técnico quanto o dimensionamento clínico-financeiro do investimento — para que a decisão seja tomada com expectativas realistas.

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